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As inúmeras possibilidades

Um poema começa em branco  Entrelaço as palavras e quando  Meu sei por conta de mim Fiz um verso em rima ou branco  No poema que faço cabem Inúmeras possibilidades  Aos quais no controle mesmo Não sendo artista artista do acaso  Num poema é engraçado pensar  A construção da palavra como jóia  Bruta e a ponto de ser lapidada  A fim de adornar a paisagem versada Nem penso num poema assim  Em verso Alexandrino, decassilabo  Redondilha maiores ou menores  Não sou o poeta da pureza  Meu poema reduz muito as coisas  Quando insiro a palavra miséria  As possibilidades são muitas e Pouco se fala de palavra tão vil Faço versos que rimem com tragédia  Saem estrofes com a fome e quando Me dou conta saiu um poema sujo  Dizendo sobre o suicídio alimentar  Acometido a milhões de pessoas  em despejo de suco gástrico vazio Salivando o lixo, engano intestinal  que faz das fezes a morte afinal Meu poema finaliza...

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