No fim da noite
Faz alguns anos que conheço a Vânia, sempre que vou a Subway o seu sorriso apresenta os pedidos com um ar doce e delicado. Mesmo naquele melancólico trabalho que exige 12 horas e pouco paga, Vânia sempre é educacada e doce para com os clientes.
Hoje fui apresentado aos novos sabores, pedi um sanduíche diferente, queixe-me da minha alimentação, preocupações que possuía para com tantos fast foods e o desequilíbrio que me atravessava.
Vânia me olhou bem, sorriu e sugeriu algo balanceado como a vida, com calma e afeto. Com olhos atentos, eu percebi uma aliança em seu dedo, perguntei se havia casado:
- Sim, casei de novo. Aí exige
- Sério? Que bacana!
- Mora em São Paulo, mas tem essa exigência.
Vânia não mencionou naquele momento, mas seu relacionamento era com outra mulher o que marca a posse e o poder das relações emocionais.
- Lembro que você também namorava?
- Sim, mas não estamos juntos
- Uma pena, gostaria de conselhos...
Sorri e silenciosamente sentei em minha cadeira. Ela começou a conversar com um segurança da loja até que sua voz procura meu ouvido ali em meio ao silêncio.
- Lembro que você estudava? Terminou?
- Em vias de terminar, pretendo fazer o mestrado!
- Ah, um dia eu chego também.
Aquela lamentação foi um baque, afinal quantos sonhos foram interrompidos pelas não condições ideais? Quantas vezes se sentiu triste em meio aos rostos que atendia? Aqueles olhares que a cobram por um serviço e nem lhe oferecem uma empatia?
Vânia então queixou -se da sua época escolar, o professor que lhe cobrava a gramática e a escrita perfeitas, trabalhos escritos que nenhum professor lê por não ter tempo hábil para corrigir 60 a 80 alunos.
Ela possuía fome, mas fora podada pela escola, pelo ensino, pelos professores, pela vida. Olhava para mim como fonte de saber, com alguém que triunfou em meio às armadilhas que atravessam a todos nós.
Quero dizer Vânia que não triunfei! Fui produzido e moldado para isto, meus parentes me conduziram a um ponto que só me dei conta em um certo momento, amargurado por escolhas e a melancolia, escolhi seguir aquilo que me dava a sobrevivência e um mínimo prazer.
Se sou professor é muito mais pelo menor incômodo que sinto, pelo papel que posso desempenhar e a maneira como atingir alguém.
Senti um frio, um certo dever. Em meio a mordida pensei em tantas vezes que passei e não ofertei a alguma pessoa o ouvido em que contasse sua história, sua vida. Me senti não empático, não tão doce quanto imagino. O controle é uma catástrofe, um mordaça que deve ser combatida! Quantas vezes ficamos ali presos a uma pessoa que pode mudar negativa ou positivamente nossa afirmação individual?
Estava de saída, ia me despedindo até que Vânia sorriu e disse:
- Sabe... Bom falar sobre isso! Espero que não faça o mesmo.
Sorri de volta, e agradeci sua sinceridade e seu partilhamento. Atravessei a rua e agora era um pouco mais livre e humano do que entrei.
Hoje fui apresentado aos novos sabores, pedi um sanduíche diferente, queixe-me da minha alimentação, preocupações que possuía para com tantos fast foods e o desequilíbrio que me atravessava.
Vânia me olhou bem, sorriu e sugeriu algo balanceado como a vida, com calma e afeto. Com olhos atentos, eu percebi uma aliança em seu dedo, perguntei se havia casado:
- Sim, casei de novo. Aí exige
- Sério? Que bacana!
- Mora em São Paulo, mas tem essa exigência.
Vânia não mencionou naquele momento, mas seu relacionamento era com outra mulher o que marca a posse e o poder das relações emocionais.
- Lembro que você também namorava?
- Sim, mas não estamos juntos
- Uma pena, gostaria de conselhos...
Sorri e silenciosamente sentei em minha cadeira. Ela começou a conversar com um segurança da loja até que sua voz procura meu ouvido ali em meio ao silêncio.
- Lembro que você estudava? Terminou?
- Em vias de terminar, pretendo fazer o mestrado!
- Ah, um dia eu chego também.
Aquela lamentação foi um baque, afinal quantos sonhos foram interrompidos pelas não condições ideais? Quantas vezes se sentiu triste em meio aos rostos que atendia? Aqueles olhares que a cobram por um serviço e nem lhe oferecem uma empatia?
Vânia então queixou -se da sua época escolar, o professor que lhe cobrava a gramática e a escrita perfeitas, trabalhos escritos que nenhum professor lê por não ter tempo hábil para corrigir 60 a 80 alunos.
Ela possuía fome, mas fora podada pela escola, pelo ensino, pelos professores, pela vida. Olhava para mim como fonte de saber, com alguém que triunfou em meio às armadilhas que atravessam a todos nós.
Quero dizer Vânia que não triunfei! Fui produzido e moldado para isto, meus parentes me conduziram a um ponto que só me dei conta em um certo momento, amargurado por escolhas e a melancolia, escolhi seguir aquilo que me dava a sobrevivência e um mínimo prazer.
Se sou professor é muito mais pelo menor incômodo que sinto, pelo papel que posso desempenhar e a maneira como atingir alguém.
Senti um frio, um certo dever. Em meio a mordida pensei em tantas vezes que passei e não ofertei a alguma pessoa o ouvido em que contasse sua história, sua vida. Me senti não empático, não tão doce quanto imagino. O controle é uma catástrofe, um mordaça que deve ser combatida! Quantas vezes ficamos ali presos a uma pessoa que pode mudar negativa ou positivamente nossa afirmação individual?
Estava de saída, ia me despedindo até que Vânia sorriu e disse:
- Sabe... Bom falar sobre isso! Espero que não faça o mesmo.
Sorri de volta, e agradeci sua sinceridade e seu partilhamento. Atravessei a rua e agora era um pouco mais livre e humano do que entrei.
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