Café Amargo
Quando o primeiro punhal
foi desferido a duro golpe
o silêncio ali se prometeu
o desejo se fez, corrompeu
A inveja do amor desejado
os olhares ali perdidos
onde jogar a folha de bananeira
cobrir as vergonhas já é prazer?
Tocar no grito ainda é cura
me diga o sentido amargura
corroída em carne dura
range a boca - suga a vida
Me diz que ama sentindo
apenas para ter um deslize
profundo momento de pequenez
nesta deliberada embriaguez
As asas energizadas propagam
o possível ainda é questão de sê-lo
se já fui a possibilidade tragada
por qual motivo me soltou?
Ainda não sou inalável?
Ainda sou dor?
A corrente nos prende na deriva
continente iceberg é vestígio
daquilo que poderia ter sido
amado com sangue choco
estragado no paletó
um café amargo em pó
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