O Corpo Ausente
Ar em fumaça, impuro, impróprio. Era um dia, não um dia qualquer. A senhora que fuma não quer o olhar de julgamento ou de mero desprezo, ela quer o cigarro e mais nada. O cigarro em seus dedos parece não ser infinito, sua dor em viver sim, a cada puxada a vida se esvai, as células aos poucos não se recuperam tão rapidamente, parece algo melancólico.
Seu olhar parecia não estar aqui, uma dimensão em que o cigarro fosse fumado como quem aprecia uma vida. A sua, aquela vida humana esgotada, em dor, cobrança, em que o ar falta, o pulmão em corrosão, a garganta fechada, a queda eminente. Imperatriz da dor, no palácio rodoviário. Afinal o que havia se tornado?
Pouco depois, chega sua filha, cobrando, xingando, reclamando... O ar falta, cigarros são consumidos, se soubessem o bicho que se tornou, diria aquilo. Deixou de ser mulher e foi-se corpo presente, mas ausente de vida. Queria eu carregar a sua cruz em existir, falar que a escravidão de viver é algo que um dia acaba. Acredite, vai acabar, vamos viver e gozar uma existência plena, em que fumar não seja solução, mas recreativo e que as relações humanas se completem.
A fumaça, a sujeira, o lixo em viver nessa sociedade estava em seu respirar, como um peixe quando lhe jogam oxigênio. Seu ar rarefeito, me fez ver o meu, raro e sem efeito no mundo, sem um propósito. Minha querida amiga, o que me tornei? Um ser que se vai sem um fim determinado, que poderia ter tudo, mas levanta pelas manhãs com a mesma rotina.
Acho que o cigarro basta, o café da repartição, o álcool, churrasco. Aqueles vícios que não são virtudes, mas teimam em ser manias que nos amenizam. Em teu olhar, vi que amenizar tua dor não lhe daria alegria, viver se tornou um fardo, o que seria alegria?
Coube a mim a missão de lhe dizer que alegria é algo não amenizador, nem que se esvai, que não se reclama e nem se pede. Quero lhe dizer que alegria é o que me faz escrever sobre você, pensando em alguém que irá ler isto e saber que meus dias são melhores com ela. Alegria é uma alergia que contagia o nosso ser e nos dá otimismo de seguir e se modificar a todo dia sem ter vícios ou virtudes apenas, sabedoria.
Seu olhar parecia não estar aqui, uma dimensão em que o cigarro fosse fumado como quem aprecia uma vida. A sua, aquela vida humana esgotada, em dor, cobrança, em que o ar falta, o pulmão em corrosão, a garganta fechada, a queda eminente. Imperatriz da dor, no palácio rodoviário. Afinal o que havia se tornado?
Pouco depois, chega sua filha, cobrando, xingando, reclamando... O ar falta, cigarros são consumidos, se soubessem o bicho que se tornou, diria aquilo. Deixou de ser mulher e foi-se corpo presente, mas ausente de vida. Queria eu carregar a sua cruz em existir, falar que a escravidão de viver é algo que um dia acaba. Acredite, vai acabar, vamos viver e gozar uma existência plena, em que fumar não seja solução, mas recreativo e que as relações humanas se completem.
A fumaça, a sujeira, o lixo em viver nessa sociedade estava em seu respirar, como um peixe quando lhe jogam oxigênio. Seu ar rarefeito, me fez ver o meu, raro e sem efeito no mundo, sem um propósito. Minha querida amiga, o que me tornei? Um ser que se vai sem um fim determinado, que poderia ter tudo, mas levanta pelas manhãs com a mesma rotina.
Acho que o cigarro basta, o café da repartição, o álcool, churrasco. Aqueles vícios que não são virtudes, mas teimam em ser manias que nos amenizam. Em teu olhar, vi que amenizar tua dor não lhe daria alegria, viver se tornou um fardo, o que seria alegria?
Coube a mim a missão de lhe dizer que alegria é algo não amenizador, nem que se esvai, que não se reclama e nem se pede. Quero lhe dizer que alegria é o que me faz escrever sobre você, pensando em alguém que irá ler isto e saber que meus dias são melhores com ela. Alegria é uma alergia que contagia o nosso ser e nos dá otimismo de seguir e se modificar a todo dia sem ter vícios ou virtudes apenas, sabedoria.
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