Caixa das Cores

Estávamos em um parque de diversões, era o nosso primeiro encontro. Foi num aplicativo de paquera que a conheci, corações clicados e tivemos uma combinação.

Sua descrição nas informações me atraíam, ávida leitora, apreciadora de viagens, fã de animais, pedia por coisas simples como um jantar e um vinho.

Eu era mais modesto, só colocava que gostava de quadrinhos, usava óculos e ia em eventos para me fantasiar como meus personagens.

Lídia era linda, seus olhos castanhos claros, cabelos ondulados até os ombros se misturavam com camiseta vermelha junto de uma calça brim branca e um salto scarpin branco, tamanho 36.

Adorava seus pés, é verdade, eram alinhados e com um esmalte preto distinto.

Fitei-a bem, segurei sua mão no parque e vimos um brinquedo: A caixa das cores.

A caixa das cores era grande, parecia um sanatório, negro que se fica pequeno perto, não havia cores, somente uma informação de que ao entrar, sozinho, a cor revelaria seu estado por meio de um programa.

Entramos, Lídia foi primeiro, demorou pouco e logo saiu. Entrei por depois, minhas mãos suavam frio, um arrepio tomou meu corpo, senti flashes de luz até que uma voz:

- Entre, sua cor será revelada e o seu estado.
- Sou de Alagoas.
- Estado emocional, senhor Arthur.

Um susto me veio a mente, como saberia meu nome, como sabia disso? Fiquei confuso, me matutando.

- Senhor Arthur, a cor encontrada para o senhor foi a roxa.
- Isso é ruim? Bom?
- Olha, é fria.
- Quem? O quê?
- O senhor e essa moça aí, não dão certo, vá no aplicativo e faça outra combinação.

Fiquei indignado, uma máquina me tentando frustrar de meus interesses. As mãos suavam quente, coração batendo, sai em disparada ao encontro de Lídia.

Ela não estava, procurei-a, corri, lati, urrei, chorei como um cão abandonado a beira da rua. Voltei andando, morava perto, a chuva garoando em minhas roupas e lavando minha alma ali ensopada em sentimentos desencontrados.

Deve ter ouvido o mesmo da máquina, me deixou sozinho, mas que maldita, ah se eu a vejo, falo um monte.
Me inventa de ir nessa caixa, aí dá nessa porra aí. Depois falam que não existem homens cavalheiros. Pra quê? Só tomamos na fuça isso sim.

Cheguei em casa, já com Wi-Fi, recebo mensagens enquanto tiro a roupa. Até que o telefone toca, atendo:

- Onde você se foi? Fui ao banheiro e você sumiu. Te assustei?
- Mentirosa, te procurei feito uma barata tonta, andei, queria me dar um semi bolo né? Pois fique sabendo que não quero mais nada.
- Bem que a máquina disse que você não era pra mim...
- Ela estava certa, que ódio, queria te falar tanta coisa que ah.
- Semana que vem no parque, as 17 horas.
- Dessa vez vamos sair então? Vai dar certo? Já é a sexta vez que me deixa naquela caixa e solitário no parque.
- Sabe que mais tempo exige mais dinheiro né?
- Sei, prometo pagar mais.
- Ok, combinado.

Desliguei o telefone, soltei um sorriso, liguei um aplicativo de carros, iria dirigir até tarde, minha primeira corrida foi uma moça de cabelos castanhos, olhos claros, blusa branca, calça brim preta, salto preto.

- Quanto você calça?
- Calço 36. Quer ver?
- Alinhados, bem bonitos.
- Quer ir ao parque sábado, as 17 horas na caixa das cores?

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